Em 1979, Gilberto Gil lançava a música “Não chores mais”, que era a versão de “No Woman, No Cry”, de Bob Marley. Era o fim do regime militar, mas mesmo assim a música virou hino contra o regime.

A música original de Bob Marley é sobre uma despedida entre um homem e uma mulher, e se passa em Trenchtown, uma das maiores favelas da Jamaica — que também é uma área do governo.

Na tradução de Gilberto Gil, duas estrofes me chamam a atenção pelo lugar e personagens: os hipócritas e a fogueirinha de papel.

Bem que eu me lembro

Da gente sentado ali

Na grama do aterro, sob o sol

Ob-observando hipócritas

Disfarçados, rondando ao redor

Aqui vale lembrar que o Aterro do Flamengo, apesar de área de lazer, é uma área militar, onde está situado o Monumento aos Pracinhas e o III COMAR (Terceiro Comando Aéreo Regional) da FAB, sendo sempre muito bem policiado, principalmente, durante o regime militar.

Daí, concluo que os “hipócritas” eram os agentes da Lei e os militares!

Bem que eu me lembro

Da gente sentava ali

Na grama do aterro, sob o céu

Ob-observando estrelas

Junto à fogueirinha de papel

Aqui, Bob Marley, Gilberto Gil e a fogueirinha de papel, têm algo em comum. Bob do movimento “rastafari”, Gil do movimento “hippie”, e quando se junta uma fogueirinha de papel significa “queimar fumo”, por isso, os agentes da Lei seriam os “hipócritas”!

Porém, às duas últimas estrofes — como não poderiam deixar de ser em músicas de protesto ao regime militar cantada por esquerdistas — podem servir contra eles nos dias de hoje.

Quentar o frio

Requentar o pão

E comer com você

Os pés, de manhã, pisar o chão

Eu sei a barra de viver

Mas, se Deus quiser

Tudo, tudo, tudo vai dar pé

Tudo, tudo, tudo vai dar pé

Tudo, tudo, tudo vai dar pé

Tudo, tudo, tudo…”

Apesar da destruição de 35 anos de governos socialistas e sociais-democratas, dos progressistas, do vírus chines, das quarentenas impostas por prefeitos e governadores aprendizes de ditadores…

Se Deus quiser — tudo, tudo, tudo vai dar pé!”

Pai de família, conservador