O dia seguinte ao Dia D

Publicado anteriormente no Vida Destra, 31/08/2021

Uma coisa tem me incomodado muito sobre o 7 de setembro, mais precisamente o depois!

Há uma expectativa muito grande por parte da população sobre os acontecimentos vindouros após esse dia, como um livramento instantâneo, talvez fruto de uma ruptura.

E se essas expectativas não se realizarem?

Quantos ainda estarão ao lado do Presidente?

Muitos apostam que após as manifestações de 7 de setembro, o Presidente estará apto a usar o tão falado Art. 142 da Constituição Federal, mas muitos não tem ideia do que isso pode acarretar ao país, e principalmente ao Presidente.

Mas, acredito que como um Presidente que se mostra preocupado com o seu povo, já deve ter pensado em todos os cenários possíveis.

O que diz o Artigo 142:

“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. (Grifei — comentarei mais adiante)

O uso deste artigo pelo presidente hoje, seria temerário, a meu ver, por três situações distintas:

Primeiro, a logística, e quando falo aqui de logística, não me refiro a distâncias e transporte não, falo sobre membros das FFAA!

Vejamos: O Brasil possui 12 RM (Regiões Militares), suponhamos, que dois comandantes de região ou suas tropas — que deporia seus comandantes — se oponham à situação, e tomem partido contrário causando uma revolução!

Tenho certeza, que o Presidente já pensou sobre isso, e que não causaria tal situação por nenhum motivo!

Segundo, ele sabe que a oposição, que tanto o chamou de autoritário, com tendências e simpatia ditatorial — inclusive com propaganda no exterior — só espera uma oportunidade de dizer em claro e a bom som que “estavam com razão”.

Terceiro, temos hoje um mundo basicamente socialista e social-democrata tais como: América do Sul, EUA e União Europeia — basta vermos as queixas da Hungria e Polônia sobre as pressões que veem sofrendo do parlamento europeu sobre suas políticas contrárias em casos como doutrinação e minorias. Decidindo por tal ruptura, mesmo que encontre respaldo no povo e investidores, à primeira vista, será considerado autoritarismo pelo mundo — lembram das girafas da Amazônia? — o que pode causar estragos que levaremos anos para consertar.

Voltando ao Art. 142, é inconteste que seu comandante supremo é o Presidente — está escrito — também é inconteste, que pode ser usado por qualquer dos poderes da república, desde que, pedido e com autorização do Presidente, mas ao contrário do que muitos pensam, a parte que diz: “garantia […] da lei e da ordem”, se refere exclusivamente a nós, pois na visão dos sociais-democratas que escreveram a Constituição, somente nós o povo, é que somos passiveis de ficar contra a lei e a ordem, enquanto eles, estão acima dela — não por acaso, nossas manifestações e opiniões, são antidemocráticas.

Talvez, como já comentei, essa seja a aposta do Presidente, pois a certeza que ele tem hoje de que as FFAA estarão ao lado do povo nesta situação, também é a certeza dos demais poderes — Congresso e Supremo — que faria com que esses poderes não confrontassem o povo, e consequentemente, o Presidente.

Por isso, duas coisas serão importantíssimas neste 7 setembro:

Primeiro: que seja grandioso, que o povo mostre seu descontentamento com os rumos do Congresso e principalmente do Supremo;

Segundo: que aconteça o que acontecer, após o 7 de setembro — mesmo que não aconteça ruptura como alguns querem — mantermos firme apoio ao Presidente da República que sabe o que deve ser feito, e principalmente, deseja o melhor para o Brasil!

Adilson Veiga

Twitter https://twitter.com/Ajveiga2

Pai de família, conservador

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